Toda grande história começa com um sonho. Mas algumas começam, primeiro, com um "não".
Antes de existir o Tamborins Tantãs, existia apenas um homem caminhando pelas ruas de Belo Horizonte durante o Carnaval. Em uma das mãos, um tamborim. Na outra, a esperança de encontrar um lugar onde pudesse tocar. Ano após ano, desde o renascimento do Carnaval de Rua da cidade em 2009, Ney Mourão repetia o mesmo ritual. Fluminense de nascimento e belo-horizontino por escolha e paixão, seguia os blocos levando seu instrumento debaixo do braço, acreditando que sempre haveria espaço para mais um ritmista.
"Hoje não." · "Não precisamos de tamborim." · "A bateria já está completa."
O instrumento que ajudava a construir a identidade do samba parecia não ter lugar justamente na maior festa popular do país. Foi então que Ney tomou uma decisão: se não existia um bloco que acolhesse o tamborim, ele criaria um onde o tamborim seria o protagonista.
Em dezembro de 2017, nasceu o Tamborins Tantãs — não como um protesto, mas como um convite para mostrar que um instrumento tantas vezes deixado de lado poderia conduzir uma multidão.